quarta-feira, 31 de julho de 2013

Entrevistas - sobre Victor Kursancew

Com o objetivo de ouvir as vozes de pessoas próximas aos artistas, sentiu-se a necessidade da realização de entrevistas com familiares e conhecidos dos artistas, pois assim seriam obtidas informações sobre curiosidades e vida pessoal que nem sempre se encontram em livros e reportagens de jornais.

Abordaremos nessa postagem o artista Victor Kursancew. Dividimos por categorias para que assim as falas dos entrevistados fiquem mais organizadas. Nessa postagem, abordaremos as Memórias sobre o artista, divididas em três subcategorias: "Características físicas e psicológicas", "Situações e momentos" e "Falecimento do artista".

As entrevistadas foram: Angélica Kursancew (filha) e Asta dos Reis (ex-aluna).

Montagem de fotos. À esquerda: foto de Roberto Adam. Foto de Victor Kursancew. À direita: KURSANCEW, Victor. Retrato do Sr. Moreira. S/data, 50 x 55 cm, óleo sobre tela. Fotografia de autoria desconhecida. Coleção Particular. Joinville/SC.

Características físicas e psicológicas do artista

Asta dos Reis (ex-aluna de Victor) “Mais cheinho, não era muito alto. Mais ou menos 1,70 de altura [...]. Na época ele já estava grisalho. [...] Emocionalmente, ele tinha uns 'rompantes'. Claro, ele queria que as coisas funcionassem perfeitamente, o padrão de exigência dele era alto. E aí muitas vezes ele entrava em conflito. E também por isso, segundo o que eu sei, [...] me disseram que ele saiu (da Casa da Cultura) porque se desentendeu. As coisas que ele pedia não eram atendidas na escola, aí ele se desgostou e parou. [...] Como eu já tinha feito um ano com ele, já sabia o nível, eu não ia perder essa chance. Fui lá para o seu ateliê”.

Angélica Kursancew (filha de Victor) “Era de estatura mediana, encorpado, olhos azuis e próximo aos 60 anos lembrava um pouco a fisionomia de Albert Einstein. Tenho fortes recordações da sua personalidade intensa, extrovertida e muito dedicado a sua família e amigos. Era feliz sentado a mesa de um bar  discutindo assuntos polêmicos e bastante crítico em relação ao que se diz arte”.

Situações e momentos

Asta dos Reis (ex-aluna de Victor) “Ele era rigoroso. Tinha suas horas de brincadeira, também. Mas gostava que tudo tivesse em ordem, que a gente também fizesse corretamente. A gente se esforçava no que dava”. “Nós estávamos pintando lá onde hoje é o Zoobotânico, [...] e tinha um barranco, então ele pediu que eu ‘tirasse’ [a cor] carmim. Achei estranhíssimo, carmim para pintar um barranco. [...] Ele sabia como fazer, mas não tinha um embasamento teórico direto. Talvez ele tenha tido, mas essa parte a gente não recebeu, só acompanhávamos como era feito. [...] Ele dava instruções como fazer a pincelada. [...] A primeira aula para mim foi marcante, porque ele era bastante rigoroso, e determinou: ‘Você vai preparar as cores’ – era uma natureza morta – ‘e vai colocar as cores separadamente, não é para misturar’. E eu, misturei. Quando ele voltou, disse assim muito ríspido: ‘Mas não foi assim que eu falei. Você não fez como eu disse’. Eu tremi. Ele mostrou, aí acabamos aprendendo, mas naquela noite eu tive pesadelo (risos)”. 

Falecimento do artista

Asta dos Reis (ex-aluna de Victor) “Quem relatou isso [sobre a morte do artista] foi uma ex-aluna dele que marcou uma aula porque ele estava morando na Enseada [uma das praias da cidade de São Francisco do Sul, no litoral de Santa Catarina]. Ela e uma amiga tinham combinado de ir até lá para fazer uma aula com ele. E nesse mesmo dia ele faleceu de problema cardíaco. Elas ligaram, já tinha acontecido, mas não tinha informação. Foi uma morte bem repentina. Ele não parecia que tinha problema de coração”.

Angélica Kursancew (filha de Victor)Faleceu em fevereiro de 1980 de um aneurisma cerebral, numa fase em que almejava dedicar-se mais as artes plásticas. A arte comercial garantia o sustento de sua grande família (8 filhos). Houve repercussão no noticiário televisivo local e no Jornal A Noticia, com extensa cobertura”.

Victor Kursancew. Foto: Roberto Adam. Foto copiada da reportagem: SZABUNIA, Roberto. Victor Kursancew, acima de tudo amante da arte. Jornal A Notícia, Joinville, 6 mar. 1980.


Em breve, postaremos as entrevistas feitas sobre a "Produção artístico/cultural" do artista.
 

terça-feira, 30 de julho de 2013

Entrevistas - sobre Hamilton Machado

Com o objetivo de ouvir as vozes de pessoas próximas aos artistas, sentiu-se a necessidade da realização de entrevistas com familiares e conhecidos dos artistas, pois assim seriam obtidas informações sobre curiosidades e vida pessoal que nem sempre se encontram em livros e reportagens de jornais.

Abordaremos nessa postagem o artista Hamilton Machado. Dividimos por categorias para que assim as falas dos entrevistados fiquem mais organizadas. Nessa postagem, abordaremos as Memórias sobre o artista, divididas em três subcategorias: "Características físicas e psicológicas do artistas", "Situações e momentos" e "Falecimento do artista”. 

As entrevistadas foram: Nissi Machado (irmã do artista), Nadja de Carvalho Lamas (amiga e ex-aluna) e Sandra Almeida (amiga e ex-aluna). Ex-alunas e amigas também forneceram informações, como Marli Avancini e Asta dos Reis.


Montagem de fotos. À esquerda: autoria desconhecida. Foto de Hamilton Machado. À direita: MACHADO, Hamilton. Cabeça rafaelesca. 1988, 68 x 44cm, óleo sobre tela. Foto pertencente a Nadja de Carvalho Lamas. Coleção Particular. Joinville/SC.


Características físicas e psicológicas do artista

Sandra de Almeida (amiga de Hamilton) - “Ele era alto, [...] magro, elegante, barbudo, [...] bonito, charmoso, mas era muito tímido. Era tão tímido que caminhava, caminhava com o nariz para cima, a gente via ele na rua, ele passava a sensação de ser uma pessoa esnobe. Mas quem o conhecia sabia que ele não era nada disso. Ele era uma pessoa super simples, [...] super culta; ele lia muito e se informava muito”. “[...] Eu achava ele uma pessoa muito angustiada, ele tinha uma busca, uma necessidade de aprendizagem, de conhecimento, muito grande”.

Nissi Machado (irmã de Hamilton) “Era lindo, charmoso. [...] ele chegava no prédio dele, na portaria...Tirava a jaqueta e dava para o cara (que estava na portaria com frio). Ele não podia ver alguém sofrendo; não podia ver pobreza, ele se revoltava. Injustiça, ele se revoltava com isso, era bom demais. [...] Ele ficava sem chão sem a mulher; [...] dava muito valor à família. Ele casou amando, e viveu amando”.

Nadja de Carvalho Lamas (amiga e ex-aluna de Hamilton): “O Hamilton era uma pessoa muito irreverente. [...] Ele era um mestre mesmo. O Hamilton era muito bom e um homem muito inteligente, ele lia muito, era muito estudioso [...]”. “Era alto, bem encorpado, um homem muito bonito, de um olhar muito doce, uma pessoa muito educada, mas ao mesmo tempo o Hamilton assustava, porque era muito irônico. [...] Mas a ironia do Hamilton era também uma maneira de mascarar a timidez dele. O Hamilton não era uma pessoa assim de grandes amizades [...], ele era muito gentil”.

Asta dos Reis (ex-aluna de Hamilton) “Ele era magro, cabelo escuro preto, barba. Já tinha uns fios grisalhos.”

Marli Avancini (amiga de Hamilton) “Hamilton só se mostrava a quem ele gostasse muito, e felizmente convivi muito com ele, então procurei ver nele somente qualidades, que eram muitas”.

Situações e momentos

Sandra Almeida (ex-aluna e amiga de Hamilton) “Ele dizia que ele era o mestre, [...] sentava na nossa mesa (em sala de aula, na Casa da Cultura) e a gente falava ‘Hamilton, que lindo’, aí ele falava: ‘Olha para minha mão, a mão do mestre!’”. “[...] Eu frequentava a casa dele também [...]. O apartamento dele era pequeno e tinha um quarto só para ele; o cheiro de tinta era insuportável lá dentro. [...] Ele escutava música [...] e produzia. Acho que ele ouvia jazz”. “Ele era muito amigo do Si [artista já falecido Luiz Si, também ex-professor da Casa da Cultura] e os dois iam para o boteco da esquina juntos. [...] Porque lá não tinha muro; eles iam ao boteco, tomavam uma cachaça e voltavam, eram muito parceiros. O Hamilton era muito ligado àquela escola, era a vida dele, ele gostava de dar aula lá. [...] Quando ele sentava na sua cadeira [em sala de aula], a gente tinha que ficar olhando desesperadamente para ver, porque era ali [na prática] que você aprendia. E todos éramos influenciados por ele diretamente. Quando mostrávamos os trabalhos, já diziam: ‘Ah você é aluna do Hamilton’, porque era uma influência muito forte”. “[...] De Curitiba foi morar no Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro ele alugou um apartamento com mais dois ‘caras’: o Fagner (cantor) e Belchior (cantor). Ele morava com esses dois no apartamento”.

Nissi Machado (irmã de Hamilton) “O Hamilton veio embora para cá [Joinville] porque ele viveu em Curitiba muitos anos [...]. Então ele disse que ‘era hora de ficar perto dos pais’. Ele veio, ficou e morreu [aqui]. Porque o lugar exato dele era no Rio, ela (Cristina, sua ex-esposa) era de lá”. “[...] Quando ele me dava carona ele corria, porque eu tenho medo [de velocidade]. Ele morria de rir, era brincalhão”.

Nadja de Carvalho Lamas (ex-aluna e amiga de Hamilton) “[Quando o Hamilton] trabalhava no Rio [de Janeiro], numa agência de publicidade, fazia desenho, pintura e lá ele conheceu a Cristina. Casou e a trouxe para cá. De vez em quando a Cristina ia [para o Rio de Janeiro] pra ficar com a família. [...] Ele ficava fora do prumo. Hamilton não era ninguém sem a Cris. Ela foi o esteio dele, ele tinha paixão por ela. Aí [quando ela não estava em Joinville] ele me ligava. [...] Tomava umas e outras, já era meia noite e meia e eu dizia: ‘Hamilton, pelo amor de Deus, eu dou aula amanhã 7h30 da manhã. Você vai poder dormir, eu não’. E ele respondia ‘Você é minha amiga, você tem que me ouvir’”.

Falecimento do artista

Nissi Machado (irmã de Hamilton) “Na morte do meu irmão, o [Mário] Avancini estava sentado ao meu lado e falou: ‘o próximo vai ser eu’. Ele sentiu muito a morte do meu irmão. [...] [Naquele ano] morreu o Schwanke, e o Hamilton estava muito baixo astral. E daí em agosto ele foi. [...] Ele não nos avisou que estava ruim, deu aula na segunda, andava para lá e para cá [...]. Foi uma morte muito triste”.

Sandra Almeida (ex-aluna e amiga de Hamilton) “Foi uma comoção entre os artistas; [...] foi uma sequência de pessoas. [...] O Hamilton teve uma parada cardíaca no banheiro da casa dele”.

Nadja de Carvalho Lamas (ex-aluna e amiga de Hamilton) “Do Hamilton foi [...] assim chocante, porque uns 15 dias antes eu tinha encontrado com ele na rua. Naquela época ele estava indo muito para o Jerke [Empadas Jerke] no final do dia. [...] E a gente conversou um pouco, eu falei: ‘Hamilton, que vida mais maluca, a gente já não se encontra mais’. Falamos de fazer uma macarronada de novo, para se reunir, e foi a última vez que eu vi o Hamilton”.

Foto: autoria desconhecida. Hamilton Machado junto a seu autorretrato, com 17 anos. Foto pertencente a Nissi Machado.

Em breve, postaremos as entrevistas feitas sobre a "Produção artístico/cultural" do artista.

domingo, 28 de julho de 2013

Entrevistas - sobre Mário Avancini

Com o objetivo de ouvir as vozes de pessoas próximas aos artistas, sentiu-se a necessidade da realização de entrevistas com familiares e conhecidos dos artistas, pois assim seriam obtidas informações sobre curiosidades e vida pessoal que nem sempre se encontram em livros e reportagens de jornais.
 
Começamos por Fritz Alt e agora abordaremos Mário Avancini. Dividiremos por categorias para que assim as falas dos entrevistados fiquem mais organizadas. Nessa postagem, abordaremos as Memórias do artistas, divididas em três subcategorias: Características físicas e psicológicas do artista”, “Situações e momentos” e "Falecimento do artista”.
 
Os entrevistados foram Marcos Avancini, Marli Avancini (filhos do artista) e Sandra Almeida (companheira de trabalho de Mário, na ocasião em que ministrou aulas na Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior). Ex-alunas e companheiras de trabalho também forneceram informações, como Nadja de Carvalho Lamas e Asta dos Reis.
 
 Montagem de fotos. À esquerda: autoria desconhecida. Foto de Mário Avancini. À direita: AVANCINI, Mário. Título desconhecido. S/data, s/especificações de tamanho, mármore. Fotografia de Raquel Ramos dos Anjos. Coleção Particular. Joinville/SC.
 
Características físicas e psicológicas do artista:

Marli Avancini (filha de Mário): “Meu pai era calmo, dócil, sonhador, simples e sonhador”.
 
Marcos Avancini (filho de Mário) “Era um homem forte fisicamente, determinado, sensível e criativo”.

 
Sandra Almeida (ex-aluna de Mário) “[...] ele era baixinho, barrigudinho, bonachão, estava sempre sorrindo. [...] O rosto sorridente dele é uma coisa que eu lembro bastante. [...] Ele era bem humorado, uma pessoa do bem, era uma pessoa que na Casa da Cultura, cuidava da porta, cuidava do banheiro, se estava fazendo alguma coisa, lá ia o Sr. Mário; ele era um 'faz-tudo'; era fantástico. Sabe, vestia a camisa da Casa da Cultura”. “[...] era uma pessoa muito carismática e tratava todo mundo bem, de uma humildade sem tamanho”.
 

Asta dos Reis (ex-aluna de Mário) “Ele era muito simples. Tanto que as alunas não reconheciam nele um artista, e sim um forneiro. Sei que um dia a Leda (professora de Cerâmica) mandou uma aluna levar a peça e entregar para o Sr. Mário. Aí ela foi lá e disse que ‘não, que lá só estava o forneiro, o Sr. Mário não estava’. Ele era tão simples e despojado. [...] Eu acho que o artista para ser autêntico tem que ter essa simplicidade, essa essência. Então o Sr. Mário tinha a essência do artista. E não se deixava influenciar por honrarias, [...] porque ele tinha já um currículo e muitas peças feitas, obras e exposições; mas isso não mexia com ele. Ele continuava a ser aquele homem acessível. Qualquer aluno que viesse e precisasse de uma explicação, uma orientação, ele explicava”. 

 
Nadja de Carvalho Lamas (amiga de Mário) - “Seu Mário era baixinho, gordinho, barrigudinho, o rosto largo assim, bem largo, [...] de um sorriso muito franco; era uma pessoa muito espontânea”.
 
Situações e momentos
 
Marcos Avancini (filho de Mário) “Lembro-me quando pequeno que ele dava suas ferramentas gastas para que eu fizesse minhas esculturas, que quase sempre não dava certo, então ele brigava [comigo]”.
 
Sandra Almeida (ex-aluna de Mário) “[...] Quando o conheci, eu tinha 5 anos, ele era calceteiro. E daí um dia ele contou que na hora do almoço [...] [do trabalho de calceteiro], ele pegava pedacinhos de pedra e ficava brincando e fazendo esculturas com pedacinhos de pedra. E alguém – acho que um chefe dele, se não me engano – viu. [...] Essa pessoa viu o potencial dele e parece que fez a ponte entre ele e o Fritz Alt. Então [...] ele foi trabalhar com o Fritz Alt”.
 
Falecimento do artista
 
Marli Avancini (filha de Mário) “Meu pai sempre dizia que o Hamilton [Machado] era o filho mais sério dele. Disse também que ele precisava de amor e muita compreensão; tenho a certeza que meu pai também foi o melhor amigo dele nesta fase [em que lecionava] na Casa da Cultura. Quando ele [Hamilton Machado] faleceu tentei desligar qualquer fonte de informação que o meu pai tivesse acesso. Infelizmente não deu tempo. Eu já estava no cemitério na Capela. Meu pai perdeu o chão; a saúde dele ficou mais abalada ainda. Na visita ao Hamilton ele disse que seria o próximo a sair da mesma capela, e foi mesmo”.
 
Foto: Juliana Rossi. Foto do catálogo da exposição "Incorporação 2", copiada da pasta do artista localizada na biblioteca do Museu de Arte de Joinville.
 
Em breve, postaremos as entrevistas feitas sobre a "Produção artístico/cultural" do artista.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Entrevistas - sobre Fritz Alt

Com o objetivo de ouvir as vozes de pessoas próximas aos artistas, sentiu-se a necessidade da realização de entrevistas com familiares e conhecidos dos artistas, pois assim seriam obtidas informações sobre curiosidades e vida pessoal que nem sempre se encontram em livros e reportagens de jornais. 


As entrevistas começaram a ocorrer a partir de março de 2013 (foram até junho de 2013). Faremos a divisão das entrevistas por categorias para que assim as falas dos entrevistados sejam mais organizadas, começando por Fritz Alt. A primeira postagem abordará as Memórias do artistas, divididas em três subcategorias: Características físicas e psicológicas do artista”, “Situações e momentos” e "Falecimento do artista”.
Os entrevistados foram Léa Alt Lovisi (neta de Fritz Alt) e Orlando Zacharias (genro de Fritz Alt).

Montagem de fotos. À esquerda: autoria desconhecida. Foto de Fritz Alt na década de 50. À direita: ALT, Fritz. Busto de Dona Francisca. 1926, 42 x 35 x 21 cm, bronze. Fotografia de Walter de Queiroz Guerreiro. Localizada na Alameda Brüstlein, também conhecida como “Rua das Palmeiras”. Joinville/SC.


Características físicas e psicológicas do artista:

Léa Alt (neta de Fritz): - “Ele era alto, calvo, um pouco robusto, não era gordo, não aceitava sobrepeso. A fisionomia era de uma pessoa boa, brincalhona, espontânea, bem querido por sinal. [...] ele era muito charmoso”. “[...] ele deixou uma lição de vida muito grande para muita gente em Joinville. Para a época assim, da forma como ele era despojado. Ele era uma pessoa que não tinha vaidade”. “[...] uma coisa que também marcou para mim [...] ele já tinha uma visão da liberdade. [...] Por exemplo, o nu [...] tinha que posar nua, não tem esse negócio de vergonha. Os livros de anatomia ficavam em cima da mesa, se eu quisesse abrir e olhar eu via, pequena ainda, criança, sabe. [...] Passou uma forma bem bonita, assim de liberdade. Claro, para a família deveria ter alguns defeitos, mas para mim como neta, eu o achava maravilhoso, achava ele fantástico”.

Para Orlando Zacharias (genro de Fritz) “Fritz Alt tinha uma constituição física avantajada e era emocionalmente expansivo e muito comunicativo!”.

Situações e momentos:

Léa Alt (neta de Fritz)- “Eu ficava sentada naquela escada do museu (Museu Casa Fritz Alt, antiga residência do artista) sentada nos fundos. Na entrada principal dos fundos, nós dois sentávamos naquela escada ali, e algumas vezes nós tomávamos Schnapps (cachaça). Ele pegava um copinho de cachaça, [...] então ele dizia pra mim: ‘Você não bebe, você toma tudo de uma vez’ [tinha doze anos na época]”. “[Lembro] de sentar com ele, escutar musica clássica, ele ouvia muita música clássica. [Tinha] muitos livros de anatomia, tudo em alemão. Ele falava muito pouco português, era bem arrastado; ele gostava de falar alemão, a família falava, a mãe, todo mundo falava alemão”. “Um dia ele foi comprar carne no Centro e desceu o morro com a bicicletinha dele. Quando chegou lá na Cinelândia, encontrou os amigos. Dá-lhe sentar para tomar cerveja. Só que ele se empolgou de tal forma que ficou a noite toda, esqueceu de voltar pra casa. [...] Eu cansei de ir com a minha mãe de madrugada para caçar ele pela cidade. [...] Aí achávamos ele lá na Cinelândia, [...] ‘cheio de amor para dar’, feliz da vida. E lá ia minha mãe [filha de Fritz Alt], [...] catava e o levava para casa, [...] minha vó ia dormir lá em casa, porque aí o ‘bicho pegava’. Passava uns dois dias, ele descia o morro, ia com uma florzinha na casa da minha mãe e levava para minha vó pra fazer as pazes. [...] Tinha aniversário que a gente saía duas, três horas da manhã, e minha vó ligava para minha mãe e dizia: ‘O Fritz não chegou ainda’. Lá descia minha mãe com o fusquinha para pegá-lo. [...] E lá estava ele discursando, para médico, para dentista, paro povo de Joinville, [...] Adorava discursar”. “Ele entrava em todos os lugares, com uma calça preta, uma camisa branca, [...] e se tivesse com a camisa manchada, ele não ligava. Ele não ligava para ‘o que os outros iriam pensar’. Ele não ligava não”. “Ele tinha um barril de carvalho, de cachaça. Muita gente ia para a casa dele tomar cachaça, era famosa. [...] Ele que fazia a própria cachaça, tinha um tonel enorme que estava dentro do ateliê dele. [...] E a cachaça era fantástica”.

Falecimento do artista:

Leá Alt “Foi um ‘baque’ [a morte de Fritz], ninguém esperava. Pelo o que a minha mãe contava, ele tinha ido ao médico uns quinze dias antes, e o médico informou que ele estava com problema de coração, que tinha pouco tempo de vida. Tanto que ele escolheu o caixão e a lápide. Na lápide dele está escrito ‘Aqui me tens terra que tanto amei’. Ele que foi atrás de tudo [...] Ele não contou para ninguém que estava doente. Ele era uma pessoa que entendia o que era a vida e o que era a morte. [...] Ele simplesmente não avisou, aí foi um susto para todo mundo, minha mãe entrou em desespero, ficou arrasada”.

Orlando Zacharias (genro de Fritz) “Lembro-me bem, do dia em que ele faleceu.  Foi um enfarte fulminante, que aconteceu quando ele transitava (em sua  bicicleta), na Rua da Praça da Bandeira, justamente onde existia e existe uma das suas obras, o Monumento aos Imigrantes,  caindo próximo a um dos seus grandes trabalhos”.

Fritz Alt com as filhas Gisela e Ingerborg. 
Foto copiada do livro "A vontade do desejo", de Walter de Queiroz Guerreiro.

Em breve, veremos as entrevistas feitas sobre a "Produção artístico/cultural" do artista.

sábado, 13 de julho de 2013

Onde encontrar + infos sobre os artistas

Além do blog "Arte Jlle", há diversas fontes para saber + sobre os artistas, como livros, notícias de jornais, sites e trabalhos acadêmicos. Confira a seguir:

Fritz Alt:
  • Livro: GUERREIRO, Walter de Queiroz. Fritz Alt: a vontade do desejo. Joinville: Letra d´água, 2007, 1ª edição.
  • Livro: HEINZELMANN, Silvia. Fritz Alt. Joinville: Fundação Cultural, 1991.
  • Notícia de jornal: FRITZ Alt, o artista ancestral. Jornal A Notícia, Joinville, 9 mar. 2011. Anexo, Caderno de aniversário do A Notícia, p. 30.
  • Notícia de jornal: MAZZARO, Rafaela. Percursos das artes plásticas. Jornal A Notícia, Joinville, 13 mai. 2010. Anexo, p. 1.
  • Notícia de Jornal: SCHWARZ, Rodrigo. Verbete de bronze. Jornal A Notícia, Joinville, 25 jul. 2007. Anexo, p. 1.
  • Notícia de jornal: SCHWARZ, Rodrigo. Vida nova ao trabalhador: Restauração de mosaico recupera obra monumental de Fritz Alt, baluarte das artes plásticas de Joinville. Jornal A Notícia, Joinville, 15 out. 2006. Anexo, p. 2.
  • Site do Museu Casa Fritz Alt: https://sites.google.com/site/museucasa fritzalt/;
  • Site/blog: TERRAS da princesa brasileira abrigam arte musiva do alemão Fritz Alt. Disponível em: http://mosaicosdobrasil.tripod.com/id121.html. Acesso: 15 jan. 2013.
  • Museu Casa Fritz Alt. Endereço: R. Aubé (Servidão Fritz Alt), s/nº - Boa Vista, Joinville - SC.


Mário Avancini:
  • Livro: WOLFF, Joca. Mário Avancini: poeta da pedra. Florianópolis: Letras contemporâneas, 2003.
  • Pasta do artista na Biblioteca do Museu de Arte de Joinville (MAJ). Endereço: R. Quinze de Novembro, 1400 - América. Joinville/SC. Temporariamente funcionando na Cidadela Cultural Antarctica.
  • Biblioteca da Casa da Cultura: SCHATZMANN, Gabriela. Mário Avancini. Trabalho de Conclusão de Curso de História da Arte. Joinville: Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior, 2009.
  • Biblioteca da Casa da Cultura: CUNHA, Sônia Regina Andreata Biss da. Mário Avancini: o Michelangelo brasileiro. Fundação Cultural de Joinville – Casa da Cultura. Escola de Artes Fritz Alt. Joinville, Novembro/2010.
  • Notícia de jornal: MÁRIO Avancini, o fazedor de caminhos. Jornal A Notícia, Joinville, 9 mar. 2011. Caderno de aniversário do A Notícia, p. 29.
  • Notícia de jornal: MAZZARO, Rafaela. 20 anos de luto. Jornal A Notícia, Joinville, 26 set. 2012. Anexo, Caderno de aniversário do A Notícia, p. 37.
  • Notícia de jornal: MAZZARO, Rafaela. Molde de pedra, coração de ouro. Jornal A Notícia, Joinville, 10 mai. 2010. Anexo, p. 1.
  • Notícia de jornal: UM 1992 que não deve ser esquecido. Jornal A Notícia, Joinville, 26 set. 2012. Caderno Anexo, p. 1


Hamilton Machado:
  • Texto:  "O Filtro do Mestre", de Walter de Queiroz Guerreiro. Disponível em: http://www.recantodasletras.com.br/ensaios/3856543.
  • Pasta do artista na Biblioteca do Museu de Arte de Joinville (MAJ). Endereço: R. Quinze de Novembro, 1400 - América. Joinville/SC. Temporariamente funcionando na Cidadela Cultural Antarctica.
  • Biblioteca da Casa da Cultura: ARTIOLI, Ana Cláudia M. Moreira. Atividade sobre o artista joinvilense Hamilton Machado. Trabalho de Conclusão do curso de História da Arte da Casa da Cultura. Joinville: s.n., 2004.
  • Biblioteca da Casa da Cultura: GOMES, Audrey Machado; MAGRO, Silvia Indalencio. Hamilton José Machado. Fundação Cultural de Joinville. Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior. Escola de Artes Fritz Alt. Joinville: s.n., 2011.
  • Notícia de jornal: MAZZARO, Rafaela. 20 anos de luto. Jornal A Notícia, Joinville, 26 set. 2012. Anexo, Caderno de aniversário do A Notícia, p. 37.
  • Notícia de jornal: MAZZARO, Rafaela. Traços de liberdade. Jornal A Notícia, Joinville, 11 mai. 2010. Caderno Anexo, p.1.
  • Notícia de jornal: PEREIRA, Mariana. O legado de um artista. Jornal Notícias do Dia, Joinville, 8 mai. 2009. Caderno Plural, p. 1.
  • Notícia de jornal: UM 1992 que não deve ser esquecido. Jornal A Notícia, Joinville, 26 set. 2012. Caderno Anexo, p. 1. 


Victor Kursancew:
  • Blog: VICTOR KURSANCEW. S.n.t. Disponível em: <http://galeriavkjoinville.blogspot.com.br/>. Acesso em 13 set. 2012.
  • Pasta do artista na Biblioteca do Museu de Arte de Joinville (MAJ). Endereço: R. Quinze de Novembro, 1400 - América. Joinville/SC. Temporariamente funcionando na Cidadela Cultural Antarctica.
  • Notícia de jornal: MAZZARO, Rafaela. Lutando pela própria arte. Jornal A Notícia, Joinville, 12 mai. 2010. Anexo, p. 1. 
  • Notícia de jornal: SCHMITZ, Cristiane. Redescobrindo Kursancew. Jornal A Notícia, Joinville, 22 mar. 2007. Anexo, p. 2. 
  • Notícia de jornal: SZABUNIA, Roberto. Victor Kursancew, acima de tudo amante da arte. Jornal A Notícia, Joinville, 6 mar. 1980. P. 10??
  • Notícia de jornal: VICTOR Kursancew, o boêmio rigoroso. Jornal A Notícia, Joinville, 9 mar. 2011. Anexo, Caderno de aniversário do A Notícia, p. 28. 


Eugênio Colin:
  • Monografia: LAMAS, Nadja de Carvalho. Eugênio Colin: o pintor joinvilense. Faculdade de Arte do Paraná. Curso de pós-graduação em nível de especialização em Fundamentos Estéticos para Arte-Educação. Curitiba, 1992. 33p.
  • Pasta do artista na Biblioteca do Museu de Arte de Joinville (MAJ). Endereço: R. Quinze de Novembro, 1400 - América. Joinville/SC. Temporariamente funcionando na Cidadela Cultural Antarctica.
  • Biblioteca da Casa da Cultura: MOREIRA, Maurício. Eugênio Colin. Trabalho de conclusão do curso de História da Arte. Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior. Professora Berenice Joanna Mokross. Joinville, 2004.
  • Biblioteca da Casa da Cultura: NUNES, Denise Cristina Torrens. Eugênio Colin. Trabalho de conclusão do curso de História da Arte. Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior. Professora Miriam Aparecida da Rocha. Joinville, 2008
  • Notícia de revista: MÉRITO Cruz e Souza homenageia personalidades da cultura. Revista Museu, S.l., s.n., 21 nov. 2004. Disponível em: < http://www.revistamuseu.com.br/noticias/not_imp.asp?id=5158&ano_not=2004>.  Acesso em 13 set. 2012.
  • Notícia de jornal: EUGÊNIO Colin: dono da paisagem. Jornal A Notícia, Joinville, 9 mar. 2011. Anexo, Caderno de aniversário do A Notícia, p. 31.
  • Notícia de jornal: MAZZARO, Rafaela. Joinvilense da gema. Jornal A Notícia, Joinville, 15 mai. 2010. Anexo, p. 1. 


Contexto artístico joinvilense: 
  • Livro: PEDROSO, Néri. Coletiva de artistas de Joinville: construção mínima de memória. Joinville: Impressul, 2012.
  • Catálogo: MAJ 30 Anos. Joinville: Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura, 2006.
  • Arquivo Histórico de Joinville. Endereço: Rua Hermann August Lepper, 650. Joinville/SC.
  • Biblioteca do Museu de Arte de Joinville (MAJ). Endereço: R. Quinze de Novembro, 1400 - América. Joinville/SC. Temporariamente funcionando na Cidadela Cultural Antarctica.