terça-feira, 23 de julho de 2013

Entrevistas - sobre Fritz Alt

Com o objetivo de ouvir as vozes de pessoas próximas aos artistas, sentiu-se a necessidade da realização de entrevistas com familiares e conhecidos dos artistas, pois assim seriam obtidas informações sobre curiosidades e vida pessoal que nem sempre se encontram em livros e reportagens de jornais. 


As entrevistas começaram a ocorrer a partir de março de 2013 (foram até junho de 2013). Faremos a divisão das entrevistas por categorias para que assim as falas dos entrevistados sejam mais organizadas, começando por Fritz Alt. A primeira postagem abordará as Memórias do artistas, divididas em três subcategorias: Características físicas e psicológicas do artista”, “Situações e momentos” e "Falecimento do artista”.
Os entrevistados foram Léa Alt Lovisi (neta de Fritz Alt) e Orlando Zacharias (genro de Fritz Alt).

Montagem de fotos. À esquerda: autoria desconhecida. Foto de Fritz Alt na década de 50. À direita: ALT, Fritz. Busto de Dona Francisca. 1926, 42 x 35 x 21 cm, bronze. Fotografia de Walter de Queiroz Guerreiro. Localizada na Alameda Brüstlein, também conhecida como “Rua das Palmeiras”. Joinville/SC.


Características físicas e psicológicas do artista:

Léa Alt (neta de Fritz): - “Ele era alto, calvo, um pouco robusto, não era gordo, não aceitava sobrepeso. A fisionomia era de uma pessoa boa, brincalhona, espontânea, bem querido por sinal. [...] ele era muito charmoso”. “[...] ele deixou uma lição de vida muito grande para muita gente em Joinville. Para a época assim, da forma como ele era despojado. Ele era uma pessoa que não tinha vaidade”. “[...] uma coisa que também marcou para mim [...] ele já tinha uma visão da liberdade. [...] Por exemplo, o nu [...] tinha que posar nua, não tem esse negócio de vergonha. Os livros de anatomia ficavam em cima da mesa, se eu quisesse abrir e olhar eu via, pequena ainda, criança, sabe. [...] Passou uma forma bem bonita, assim de liberdade. Claro, para a família deveria ter alguns defeitos, mas para mim como neta, eu o achava maravilhoso, achava ele fantástico”.

Para Orlando Zacharias (genro de Fritz) “Fritz Alt tinha uma constituição física avantajada e era emocionalmente expansivo e muito comunicativo!”.

Situações e momentos:

Léa Alt (neta de Fritz)- “Eu ficava sentada naquela escada do museu (Museu Casa Fritz Alt, antiga residência do artista) sentada nos fundos. Na entrada principal dos fundos, nós dois sentávamos naquela escada ali, e algumas vezes nós tomávamos Schnapps (cachaça). Ele pegava um copinho de cachaça, [...] então ele dizia pra mim: ‘Você não bebe, você toma tudo de uma vez’ [tinha doze anos na época]”. “[Lembro] de sentar com ele, escutar musica clássica, ele ouvia muita música clássica. [Tinha] muitos livros de anatomia, tudo em alemão. Ele falava muito pouco português, era bem arrastado; ele gostava de falar alemão, a família falava, a mãe, todo mundo falava alemão”. “Um dia ele foi comprar carne no Centro e desceu o morro com a bicicletinha dele. Quando chegou lá na Cinelândia, encontrou os amigos. Dá-lhe sentar para tomar cerveja. Só que ele se empolgou de tal forma que ficou a noite toda, esqueceu de voltar pra casa. [...] Eu cansei de ir com a minha mãe de madrugada para caçar ele pela cidade. [...] Aí achávamos ele lá na Cinelândia, [...] ‘cheio de amor para dar’, feliz da vida. E lá ia minha mãe [filha de Fritz Alt], [...] catava e o levava para casa, [...] minha vó ia dormir lá em casa, porque aí o ‘bicho pegava’. Passava uns dois dias, ele descia o morro, ia com uma florzinha na casa da minha mãe e levava para minha vó pra fazer as pazes. [...] Tinha aniversário que a gente saía duas, três horas da manhã, e minha vó ligava para minha mãe e dizia: ‘O Fritz não chegou ainda’. Lá descia minha mãe com o fusquinha para pegá-lo. [...] E lá estava ele discursando, para médico, para dentista, paro povo de Joinville, [...] Adorava discursar”. “Ele entrava em todos os lugares, com uma calça preta, uma camisa branca, [...] e se tivesse com a camisa manchada, ele não ligava. Ele não ligava para ‘o que os outros iriam pensar’. Ele não ligava não”. “Ele tinha um barril de carvalho, de cachaça. Muita gente ia para a casa dele tomar cachaça, era famosa. [...] Ele que fazia a própria cachaça, tinha um tonel enorme que estava dentro do ateliê dele. [...] E a cachaça era fantástica”.

Falecimento do artista:

Leá Alt “Foi um ‘baque’ [a morte de Fritz], ninguém esperava. Pelo o que a minha mãe contava, ele tinha ido ao médico uns quinze dias antes, e o médico informou que ele estava com problema de coração, que tinha pouco tempo de vida. Tanto que ele escolheu o caixão e a lápide. Na lápide dele está escrito ‘Aqui me tens terra que tanto amei’. Ele que foi atrás de tudo [...] Ele não contou para ninguém que estava doente. Ele era uma pessoa que entendia o que era a vida e o que era a morte. [...] Ele simplesmente não avisou, aí foi um susto para todo mundo, minha mãe entrou em desespero, ficou arrasada”.

Orlando Zacharias (genro de Fritz) “Lembro-me bem, do dia em que ele faleceu.  Foi um enfarte fulminante, que aconteceu quando ele transitava (em sua  bicicleta), na Rua da Praça da Bandeira, justamente onde existia e existe uma das suas obras, o Monumento aos Imigrantes,  caindo próximo a um dos seus grandes trabalhos”.

Fritz Alt com as filhas Gisela e Ingerborg. 
Foto copiada do livro "A vontade do desejo", de Walter de Queiroz Guerreiro.

Em breve, veremos as entrevistas feitas sobre a "Produção artístico/cultural" do artista.

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